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segunda-feira, 19 de agosto de 2013

Cancioneiro da dor






Cancioneiro da dor

Emerson Gomes

No escuro eis que surge uma sombra
Bela sombra iluminada mortalha
Em teus gritos desobstruístes a calma
Trazendo a tona um navalha
Riscada e manchada de moralidade
E no vento da soberba maldade
Cortou em golpes de desalinhos ideais
Os sonhos de outra vida
E na sangria em uvas escaldadas
Junto, tocava uma música que embriagava
E as cicatrizes que di-la-ce-ra-vam os véus
Que zombavam como badalos de sinos mórbidos
As correntezas das íris esverdeadas
Que pro mar somente o barco de papel
E mesmo que em sonhos moderados
Eis que surgia os homens mascarados
Para ludibriar os caminhos dos achados
Mas, quanto a luz, o escuro obstrutiva passagem
Os tons vermelhos não se misturavam
Carimbando todos os tipos de papéis
Transformando os cenários acinzentado
Em cemitérios escarlates e opacos
Para guardar com muito frescor
Aquele sofrimento que deveras sentes
E se tudo isso não poupar a depressão
Roga a ti mesmo santo cancioneiro
E pedes em música os teus desejos
Para o teu tilintar derradeiro
Diga adeus sem murmúrios e dor

quinta-feira, 15 de agosto de 2013

MEUS EUS



 MEUS EUS
Emerson Gomes
parece ser instantâneo
o que eu amargamente sinto
tão eu, tão nosso, tão espetáculo
e beirando ao ilusionismo, desaparece
mas volta forte, tenso e depressivo
são eus, os teus meus que fora de outro
mas aqui estou, puro e singular
como nunca fui, atesto o que penso
linhas, sombras e nuances cinzentas
pairavam o meu arco-iris trans
e tudo ao redor fica tonto, e nada mais
e  a paz gritando dentro dos olhos foi...
sobressaltados estou, cego fiquei
também o que importa, luz pra que?
se as sombras me perseguem
e os vasos corriqueiramente forjam
uma solidão acompanhada
de cigarro, álcool e sexo

sexta-feira, 2 de agosto de 2013

MEDO





MEDO
Theodoro de Sena
Qual fluxo ou relato
Que te prende no céu turvo?
Travo o galho e o orgasmo
Vomita a véspera de tudo
Sereia da tarde escura
Não fujas!
Não sumas!
Deita na epiderme
da bagunça deste fumo
traz, traz! ...
se trata nas cruzes
ou largue-se 
nas privadas das compaixões
breu das latas de lixo
espectro carinho tecendo
à linha da inquietação
porém teu carisma é um velório
e a grade humana, um caixão
a mente, o teorema da covardia
diz a uma orquestra o mapa da agonia
vai a frente!
Vai em frente!
Pois para trás é a derrota
O café de outra porta
O gancho das folhas sombrias
São brisas de excitar
A virtude
Comer o perfume e transar a poesia
Se persegue a entrelinha
Persegue-se!
Persegue-se!
Faz tambor, cala-te barulho!
Cala-te que o medo está em julho
De outro mês, ouro ano, outra vida
Tarja preta tão bonita
Voa, voa, o tal exílio
Para alimentar o fio
As unhas todas na terra
A terra suja o sujo
Escarra a carne na tela
E a tela que traça o FLUXO...

BRANCO FIM





BRANCO FIM
 Theodoro de Sena
As esquinas são teu cetim
Onde os laços no cabelo
Entornaram em memórias
O azedo véu do zelo

Parte para longe
Como se as alianças da esmola
Dopassem a vitrola
Da vertente dor de ti

Pernas fechadas se ocupam
Daquele retalho de roupa
Carregando os versos da culpa

Nas formigas que se buscam
Em almejadas alegrias
Digo: foram-se os beijos de simetria

CURTA METRAGEM







CURTA METRAGEM
Emerson Gomes

Quando a luz do sol ilumina minhas retinas
Percebo que é hora de acordar
Levantar, respirar fundo e sentir o FLUXO
E deixar a alma pronta para o dia feliz

Olho a hora certa e parto para a vida
Sei que será a hora do ENCONTRO MARCADO
Das memórias, dos sentimentos de outrora
Que veem à tona no presente encontro

Mas quando o crepúsculo vai surgindo
Eis que chega o momento da depressão
E PELA JANELA vejo o filme em flash back
E a rede minha companheira afetiva
Embala-me com as canções das amas
E retarda-me do certo e trágico fim