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sexta-feira, 20 de novembro de 2015

C.A

C.A

E nas cores que soam ao vento
Vejo o tilintar dos murmúrios
Sem sonhos, sem formas
Uma pustulenta obsessão
De uma ardente tensão
Petrificou como edema
A singela válvula sangrenta
E como feridas frias em caldas
Que em  metástase assombra
Uma vida profana escarlate
Sorrir a destemida ilusão de viver
E nesse fervilhar quimioterápico
Não cessa o colapso...
Abcesso tenso, vivo, eritematoso
Repercute na bamba bobina de sol
Que nutre e que morre
Com dor,  sem flores, sem amor


quinta-feira, 19 de novembro de 2015

FLOR



FLOR

e as Flores apenas Cheiram...
as Flores apenas Enfeitam...
há Flores, as flores
há grandeza maior para Existência?
Singeleza, Essência, Pureza
Conveniência...
cada canto uma Flor de Cor
para Alguém que não veio
para Alguém que se foi
para um Mundo de Alegria
para um Mundo em Dor
muitas Essências numa Flor
e muitas Flores no Amor
Enfeite-se como o Jardim


sexta-feira, 11 de setembro de 2015

SERPENTINA




SERPENTINA

Todas as firulas pra te conquistar
Eu fiz envolto de sonhos, de amor
Me enformando como gelatina
E nesse romance de lua cheia
Minguou  serpentinas cintilantes de dor
Que reluz uma turbulência ardida
E o nosso amor se esvaiu no céu
Como chuva de confetes preto e branco
Coração partido, perdido de breu
...
No esconderijo  em colorido 3x4
Fez do outro um novo  amor
Que sonhou, desejou e te abandonou
...
Agora quero vê você sorrir em mim
Como fez escancarado, cheio de zombaria
Não faz porque passou mal do abandono
Como eu também sofri
...
Não adianta chorar, pedir aos deuses
Para te ajudar, eles dormem
O amor foi-se e te apunhalou fatalmente
Te deixando em labirinto opaco
...
Rasga tuas vestes de choro e vive o luto
Deita-te e espera a poeira passar, sonhando
Porque o carnaval está chegando...
E a serpentina reluzente de pôneis vai voar
Agarra-te aos pôneis e vai brincar na folia
Aproveita e vem no bloco que já foi teu
Pra juntos sorrirmos como malandros

quinta-feira, 10 de setembro de 2015

POEIRA





Poeira

Foi-se o definitivo pesar
Nas flores guardadas nos livros
Recolhidas, sacudidas e levadas...
Ao leo...
Poeira fria que provoca alergia
É o que fica


SOBREMESA






SOBREMESA

E feito sobremesa, saboreio...
Devagar... me controlando
Degustando cada colherada
Vontade súbita de lambuzar-me
Controlo os ânimos,
Apenas uma gota de água refresca-me
Saboreio cada camada, cada essência
e como algo raro, guardo o momento
e saio feliz...